terça-feira, 20 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

10 megapicsels

do nosso amor só sobrou uma câmera sansungue de 10 megapicsels que você me deu no natal de 2009/ as nossas fotos que tinha nela eu apaguei sem querer/ mas/ serviu pra ajudar a te esquecer/ hoje a cada fotografia que tiro eu dou um sorriso/ é que me lembro você dizendo que essa máquina seria pra tirar fotos do nosso primeiro filho.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Tudo tem um nome

Tudo tem um nome
Tatu, sereia, borboleta
Coração, amor e arrepio


Tudo tem uma luz
Bom dia, semana, noite
Bar de esquina, chuva e espelho

Tudo tem um sabor
Azedo, doce, vazio,
Infência, mãe e abraço

Tudo tem um tempo
Parabéns, adeus, saudade
Fotografias e tumbas

em Poemas Prematuramente Paridos de Eugenio S. Asano

sobre a minha cabeça ou sociabilidade

tenho ao meu lado um papel de pão do qual não fui eu quem comeu. não vô escreve nele; os pensamentos me bastam. Alias, não! Não bastam. é que me rabiscar neste papel de nada vai adiantar; ninguém lê e se lê... não se importa. que se foda os leitores. sim! sim, o meu pensamento me basta e não vô compartilhar ele com quem come o pão. Só, comigo.

tenho agora uma nova morada. não muito diferente das que já fui despejado. esta fica na rodovia com nome de corredor de F1, ayrton senna. Apesar do nome estranho, dizem que ele é do brasil e é um bom corredor; talvez ele já tenha passado pela minha cabeça, passam por ela a todo momento muitos carros correndo pra lá e pra cá. eu não acho bom: carros... gente... passam sem me ver, velozes, o que deixam pra trás é o barulho do escapamento e sua fumaça.

nessa morada tenho cama inclinada e escorregadia; no começo não foi nada fácil encontrar a posição ideal pro sonho. escorregava prum lado, pro outro. em algumas noites cheguei a ter sonhos repetidos em que eu estava diante dos engenheiros que projetaram o viaduto; e eles gordos e presos a roupas limpas diziam entre si ‘esta obra deve ter concreto inclinado e escorregadio em suas bases. Pois desta forma não haverá mais os desgraçados, imundos e magricelos que tanto deixam feias as nossas construções’.

aiaiai, esses meus sonhos... o que tenho alem dos sonhos é uma cama que foi difícil, mas que agora esta fácil de dormir; tive que me adaptar e acabei encontrando uma forma de descanso que não me deixa com dores na coluna ao despertar.

mas, o que mais gosto, não é a falta de dores e sim os meus momentos de sociabilidade – depois que escutei numa propaganda eleitoral esta palavra... sociabilidade... sociabilidade... gostei tanto que bebi três pingas no bar pra comemorar uma palavra nova posta no meu dicionário, sociabilidade... sociabilidade... é linda. e é ela que uso pra descrever a mim o meu momento de sociabilidade, talvez eu tenha pensado nisso tudo por culpa da sociabilidade, a sociabilidade que tenho com as minhas visitas. elas vem do rio, escuro, fedido e que pouco corre pra algum lugar. eu, debaixo da ponte, elas, no tietê. eu sempre achei interessante o dizer de que os cães são os melhores amigos dos homens, talvez seja mesmo; mas de uma coisa eu tenho certeza: as capivaras são as melhores observadoras dos homens. elas saem do seu nado só pra me verem. em mim, misturam-se varias sensações quando me olham, me observam e eu as vejo com seus movimentos leves se aproximando de mim sem piscar os olhos, sociabilidade... sociabilidade... depois de um longo tempo de nos comunicamos com interrogações silenciosas, elas vão se arrastando pro rio com uma tristeza lenta; nadam... nadam... e eu... fico com o barulho dos carros que passam com gente pra lá e pra cá, sobre a minha cabeça.


pirenco


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

salve, leitoras (es) do pura substância;

o 20 de novembro se foi, Zumbi morreu, e os poucos comentários que ficaram... foram: ''droga, nem pro dia dos pretos ser na semana; assim seria feriado''. Eu escutei estes comentários de algumas pessoas. Diante destas palavras me cabe socializar alguns pensamentos.
Primeiro: os dias, todos eles, estão nas mãos dos patrões, ou seja, nas mãos dos grandes capitalistas; desta forma os feriados são sempre bem vindos por quem trabalha, até mesmos os feriados católico-religiosos têm a simpatia dos ateus.
Segundo: declarações como essas, demonstram o quanto se faz necessário conhecermos a história dos oprimidos, a nossa. 20 de novembro não pode ser visto como apenas uma data de 'preto', esta leitura equivocada da história demonstra o quanto a classe dominante tem interferido nos nossos pensamentos; é desta forma que os seu interesses de dominação ideológica ficam explícitos. Porém, se não conhecermos, nem que seja minimamente, a história dos oprimidos, dos que não têm voz, não seremos capazes de reconhecermos nossas tradições de lutas diante dum simples espelho. E, presos a um eterno reflexo, continuaremos como papagaios colonizados/explorados/estuprados/oprimidos..., continuaremos a ouvir comentários que a classe dominante plantou a séculos em nossas mentes.



Primeiro o ferro marca
a violência nas costas
Depois o ferro alisa
a vergonha nos cabelos
Na verdade o que se precisa
é jogar o ferro fora
é quebrar todos os elos
dessa corrente de desesperos.



abaixo, socializo uns videos que nos faz pensar-nos:


Filme: ''panteras negras''
http://www.youtube.com/watch?v=-xDjqttKH4Y


Malcolm x ''por qualquer meio necessário''
parte I
http://www.youtube.com/watch?v=2x8KgPf8Pq0&feature=related

parte II
http://www.youtube.com/watch?v=NLpfZc79na8&feature=related


Bobby S
http://www.youtube.com/watch?v=ncwYXfrMMqM&feature=player_embedded

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

no meio da ladeira ou + um dia de peso

''cansei!!! cansei!!! maldita ladeira. se no meio desta ladeira eu tivesse um cigarro ou goles de pinga não pensaria no carro de papel, na minha cor e em alguns poucos ferros que trago nos ombros. me parece que a roda tá com problemas, quebrada; ela gira, gira... e eu tô sempre no mesmo lugar. se eu tivesse um cigarro ou goles de pinga não me importaria com a roda... Biiiiiiiiii!!! por que buzina? - seu filho da puta. há quantos quilômetros você passa por mim? 30? 40? 50? há quantos anos, há quantas gerações você passa por nós e só buzina sua raiva, quantos dezembros você rezou pro menino jesus? hen? hen? seu filho da puta!!! o que carrega no porta-malas? sua viagem de feriado ou carne prum churrasco? eu tô cansado!!! meu mundo tem problemas. não tenho estepe, nem mundo auxiliar; só ladeira. filho da puta... preciso bebê. preciso bebê. fumá. 'me vê um solto'. desgraçados!!! não gostam das minhas moedas ou dos trapos sujos? desgraçados, não vendem solto. vamos lá, filho de zumbi. no três... um, dois, três... hunnn!!! preciso chegá ao ferro velho pra descarregá mais um dia de peso''.



pirenco

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

um voô.

se eu tivesse asas/ estaria agora ao teu lado/ estaria aí no seu sofá laranja assistindo um jogo do Palmeiras/ conversando sobre a violência nas escolas/ estaria voando em busca da real pedagogia dos pássaros oprimidos/ estaria no ar.

sábado, 29 de outubro de 2011

Burroughs & Zé.


Burroughs escreveu sobre gatos e Zé Ramalho sobre borboletas, numa abstração mágica da relação entre o homem e suas profundas crises e esquisitices. Tanto um quanto o outro trasncederam o limite da arte e da literatura -marginal.

Nenhum dos dois leram Manifestos, além dos Manifestos poéticos. Para que assim não entrassem em contradição consigo mesmo todas as vezes que fosse escrever suas prosas, contos e poemas. Assim foram mais livres e assim escreveram sobre gatos e borboletas e coqueteis explosivos. 

Desenquadraram suas letras, foram longe, adptaram conexões surreais ao seus modos. Se encontram muito mais do que os críticos dizem se encontrar em suas trajetórias. Zé toca Bob Dylan, mas não vejo graça nas versões forçadas deste para com as músicas daquele. Dylan é mais Kerouac -ele mesmo disse- e Zé é mais Burroughs -eu que estou dizendo.

Por fim, entre as diferenças sobra muita coisa boa pra se ler e ouvir. Longe de algo empacotado,o trabalho desses dois especialistas em domesticar animais serve de referência pra um monte de guri que anda escrevendo e cantando por aí. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

SEM-TERRA


Pedra Branca, Quixadá,

Veríssimo, Choro Limão.

Neles viveu meu avô,

Pobre e bom cidadão;

Viveu sempre trabalhando,

Mesmo cansado, lutando

Pra enriquecer o patrão.


Fumou cigarro de palha,

Comeu cuscuz com feijão.

Pra sustentar a família

Lascou a palma da mão;

Venceu vento, chuvas, secas,

Arrancou toco, fez cercas

No triste a árido sertão.


Dedicou as forças a terra,

Imensa terra limpou.

Quando ela ficou seca,

Ele, contente, aguou.

Teve filho com Maria:

Amaram-se até que um dia

O destino os separou.


Ele, desde os sete anos,

Terra viveu a cavar,

Plantou riqueza na terra,

Terra pra ele era lar

E, já cansado e velhinho,

Morreu ali quase sozinho,

Sem terra pra lhe enterrar.



escrito por Costa Senna no livro "caminhos diversos - sob os signos do cordel''

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

entre a inflação e a radionovela

não sei porque tiraram os trens de circulação. não sei porque tiraram as rádionovelas que tinha no meu tempo. não sei porque tem horário de verão, como pode rezar o terço ainda de dia? tão acabando com tudo. nem os finais de novela são como antigamente. antigamente tinha aquele suspense pra o final. hoje em dia não! na segunda feira, ou na terça já adianta logo tudo,uma coisa horrível. até bater na criança não pode mais. porque os direito humano já não sabe mais o que faz. e a inflação? vixe maria, tá tudo caro demais.  podia chamar os escritor de novela, pra adiantar logo o final dela.adiantava pelo menos a desgraça dos preço alto. porque novela como antes eles já não faz.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Independência ?


No sétimo dia de setembro Deus, erguendo sua espada de fogo

declarou:

-Independência ou Morte. Fiat Brasilis - faça-se o Brasil.

Estava criado o Mundo Brasil. Viu Deus que era bom, e foi descansar.

Mas o negro na senzala encafifado com o fato, resolveu indagar:

-O que é independência?

Deus, sabichão, já com jeitinho brasileiro, respondeu:

Não se preocupe em saber. Depois a gente dá um jeitinho.

-Mas o que é independência? - insistiu o afro-descendente.

-Pode ser, por exemplo, tema para um samba-enredo - respondeu o bom

Deus, inventando o Carnaval. - Que tal a idéia? Não está mal.

-Mas eu preciso entender. O que é independência?

-Isso ainda não está à altura do seu entendimento - retrucou Deus,

já meio irritado, mandando o cafuzo esquecer o assunto confuso. - Deixe

isso de lado. Não é assunto para negro.

-Se não é para negro é para tupí - vociferou o índio, saindo da

mata vazia.

E Deus, com seu cajado, no cavalo de chefe de Estado, esbravejou:

-Isso não é coisa para índio. Isso é para o Primeiro Mundo,

civilizado.

-Se não é para índio, é para mulato - cantou o mulato, estupefato.

E Deus, no seu trono divino falou mais alto:

-Isso não é coisa para mulato. Isso é assunto complicado.

Aí vieram o operário, a dona de casa, o visionário, o artista com

sua arte Veio gente de toda parte, o moleque de rua, o caipira, o

pau-de-arara. Todos gritaram ao mesmo tempo, perdendo a paciência:.

-O que é independência?

-Independência, é, por assim, como diria, na verdadeira concepção

da palavra, assim, assim... Entenderam meus filhos? é...

E, saindo dos trilhos, conclui:

-Vão à merda. Isso não é coisa para vocês.

Encurralado, enraivecido, desesperado, emputecido; Deus então tomou

uma decisão, fazer um arranjo em sua invenção. Acabar com as dúvidas

eliminando a indagação.

Silêncio celestial (ou sepulcral?). Mas quem prestar a atenção,

atrás dos muros, ouve sussurros:

-Independência? Independência?



este texto foi eladorado em conjunto pelos poetas Daniel Neves e Castelo Hanssen para adaptação teatral em ''comemoração'' ao mês da independência nacional.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

singela coxinha

Entrou no bar e declarou ao proprietário uma singela homenagem aos seus heróis
- me vê uma coxinha
- algo para beber? - perguntou de maneira espontânea o dono do boteco.
- não. só tenho pra coxinha - respondeu com a voz seca e autoritária.
Sem mais perguntas, o dono do bar se vira em direção à grande gaveta onde esconde as coxinhas dos bichos indesejados, pega-a, caminha rumo à bacia de óleo borbulhante. O trabalho com o óleo, a coxinha, a vida, impedem-no de notar que entraram três crianças no boteco. De costas, não pode ver três rostos sujos das brincadeiras de pedir. Paradas, tímidas, dentro do bar, contemplam os objetos e planejam a abordagem.
- aqui... a coxinha está pronta. - neste instante o dono projeta os olhos talvez interrogativos sob as crianças.
- tio... tamu cum fomi. - declara a menina, a menor entre as três.
O dono do bar pensa por alguns milésimos de segundos em algo que somente ele poderia descrever...
- tá bom, tá bom... vô fritá mais trêis. - essas palavras saíram de sua garganta misturadas as possíveis causas da fome.
Ao lado da sujeira infantil, o primeiro freguês - o da coxinha - morde com raiva seu alimento, põe força nas mandíbulas, caniços, tritura o frango, coxinha.
- um dia eu acabo com isso. Deixa suas duas moedas sobre o balcão e abandona o boteco.




pirenco

terça-feira, 13 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Em setembro...

...o dia da independência já passou, com um considerável aumento de brasileiros patriotas. Segundo a imprensa, subiu o número de pessoas que foram acompanhar o desfile com patriotismo.  Amor ao Brasil. Essas coisas assim. Teve de tudo neste 7 de setembro... teve gente falando no twitter que tinha saudade da ditadura, queda de avião com um time inteiro de hockey morrendo, coisas tão tristes quanto este fatídico e ritualístico 7/9. O pior é que nós temos que aturar o pré-11/9 todo ano. Porra! Acho que setembro só começa a ser mês depois do dia 11/9.  Até o aniversário dos gambá é dia 1/9. Eu estou pensando em mudar a data do meu aniversário, que é dia 5/9, lá pro fim do mês. Vou botar pro dia 27/9 dia de Cosme e Damião pra melhorar as coisas. Vê se vem umas energia positiva.   

terça-feira, 30 de agosto de 2011

às vezes é preciso olhar as formigas para entender o mínimo do humano. Caeiro, se ainda bebesse absinto pela boca de Pessoa, diria que olha-las é somente olha-las, sem metafísica - não buscaria compreender nada. só vê-las o deixaria contente. Porém, eu, que não estou bêbado, aconchego minhas nádegas sobre a infinita grama verde e vejo o trabalho das formigas, penso no humano...




pirenco

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Os objetos estão na sua cabeça.

“Ao invés de investir R$ 1 milhão ou R$500 mil em um museu municipal, é melhor calçar algumas ruas”. É assim que se começa todo e qualquer debate de repartição de verba na administração pública, e aqui não vale citar as cidades que cabe essa realidade, são milhares.

E me inclino a levantar a bandeira que cultura e governabilidade traçam caminhos tortuosos em que a prioridade de um é o declínio do outro, fato. Museu não dá voto, paralelepípedo dá.Realidade. Museu, dependendo do seu gestor, educa. Paralelepípedo calça as ruas de areia para os carros passar.
A gente tem que escolher entre saneamento básico e o museu. Aliás, a gente não tem que escolher é nada. Uma cidade que tem esgoto a céu aberto, não tem condições de gastar a verba da cultura com a cultura, tem que gastar com esgoto.

O que tem de vagabundo que sustenta essa idéia - são muitos. Autogestão cultural para não depender desse tipo de gente. Se a exposição interessa a seu bairro ou sua rua, monte-a. A rua pode ser essa com esgoto a céu aberto e sem paralelepípedo. Os objetos estão na sua cabeça.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Amado, carrossel de menino, Lampião

Amado carrossel onde menino Jorge se tornou Lampião
azul... verde... amarelo... roxo... e sangue.
luz refletida pelo céu da noite
vinda de sobre o cavalinho nunca nauseado,
olhos abertos
revólver da imaginação engatilhado
vermelho, vermelho, vermelho
escorre
dos olhos a alegria de ser Lampião...
criança...
que não acabe a brincadeira.



inspirado no trecho as luzes do carrossel da obra ''capitães da areia'' de Jorge Amado.



pirenco

Quando os trabalhadores perderem a paciência


As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
O trabalho deixará de ser um meio de vida
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência

A pele será carícia e o corpo delícia
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juizes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências

Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obscelescência
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
“declaro vaga a presidência”!

(Mauro Iasi)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Jesus Trotsky, mais do que bom

A mãe, católica fervorosa, queria que ele se chamasse Jesus Nazareno. O pai, materialista convicto, optara por Leon Trotsky. Discutiram, e o menino acabou recebendo, na pia e no cartório o nome de Jesus Trotsky da Silva. Foi difícil convencer o padre a batizá-lo com esse nome. Também não foi fácil fazer a funcionária do cartório grafá-lo corretamente.
O pai era marceneiro dos bons, com curso no Senai. Trabalhara sempre em uma boa empresa e ganhava um salário razoável. Era sindicalizado, mas nunca quis ocupar cargo de direção. A mãe era de prendas domésticas, das mais prendadas. Participava de Pastoral e fazia excelente trabalho social, em favor dos mais necessitados, servindo a Deus e aos homens.
O inocente foi crescendo e recebendo duas orientações diferentes, ambas, contudo, levando-o a caminhos parecidos. A mãe ensinou a ter amor e caridade, como ensinou seu xará, Jesus Cristo. O pai fê-lo entender que os homens e mulheres do mundo inteiro devem viver em paz e fraternidade. Ambos o ensinaram a repartir o pão. Ambos o ensinaram que os homens são todos irmãos, por Deus ou pela dialética.
Aprendeu e foi um bom menino e um homem de bem. Foi ainda mais longe. Jamais quis receber alguma coisa pelo bem que praticava. Acreditava que o bem se satisfaz por si próprio. Se fizesse o bem para ganhar o céu, se andasse direito para ser promovido no emprego, se espalhasse boas palavras para conduzir multidões, estaria trabalhando em causa própria.
O bem praticado em troca de alguma coisa não é bem. Fiel a esse pensamento, nunca teve uma religião, e nunca aderiu a qualquer ideologia ou partido político.
Assim viveu, como um santo ou um filósofo. Nunca teve nada, mas encheu o mundo de idéias e de filhos. As idéias, como todo pensamento generoso, foram esquecidas ou deturpadas. Os filhos cresceram e se multiplicaram em netos. Nenhum puxou ao pai ou ao avô. Todos foram criaturas normais e mais ou menos felizes, mais ou menos infelizes, contribuindo para que o mundo continuasse a girar na mesma órbita.
Como tudo que é mortal, Jesus Trotsky morreu, velho, pobre, mas realizado. Foi para o Inferno. Deus achou que tanto desapego era petulância.


texto escrito por Castelo Hanssen; retirado do blog:

http://castelohanssen.blogspot.com/

quinta-feira, 21 de julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

- já. já nasceu o meu siso. tenho agora dentes novos para morder o concreto que me serca.
foram essas as palavras entusiasmadas ditas por uma boca sem juízo.


pirenco

terça-feira, 12 de julho de 2011

Às 107 cores de Pablo Neruda

O pura substância - nome que foi retirado dum poema do aniversariante - se vê nesta data, 12 de julho, no prazeroso compromisso de rabiscar essa tela com as cores do sangue latino de Pablo Neruda. Se o poeta chileno, peruano, boliviano, argentino, venezuelano, uruguaio, cubano, mexicano, brasileiro, latino, de todo o mundo, estivesse vivo, hoje, completaria exatos 107 anos; nosso sangue oprimido e nosso amor pelo humano terno, que não explore nem oprima, resgatam os belos poemas de Neruda e os põe na realidade cinza, neoliberal, dos tempos atuais. É com infinito deleite que a tela do pura substância será colorida hoje com um dos muitos poemas de Neruda; esperamos que as cores que vossos olhos projetarem dêem contribuições na construção colorida duma nova america-latina, nova áfrica, nova ásia, novo mundo; que as 107 cores do poeta nos auxilie no combate às injustiças dos opressores. Neruda vive nos corações que batem na melodia do amor, da ternura, da justiça, da revolução.


(...)não sou mais que um poeta: amo todos vós,
ando errante pelo mundo que amo:
em minha pátria encarceram mineiros
e os soldados mandam nos juízes.
Porém eu amo até as raízes
de meu pequeno país frio.
Se tivesse que morrer mil vezes
lá quero morrer:
se tivesse que nascer mil vezes
lá quero nascer,
perto da araucária selvagem,
do vendaval do vento sul,
dos sinos recém-comprados.
Que ninguém pense em mim.
PENSEMOS NA TERRA TODA,
BATENDO COM AMOR NA MESA.
Não quero que volte o sangue
a empapar o pão, os feijões,
a música: QUERO QUE VENHA
COMIGO O MINEIRO, A MENINA,
O ADVOGADO, O MARINHEIRO,
O FABRICANTE DE BONECAS,
QUE ENTREMOS NO CINEMA E SAIAMOS
PARA BEBER O VINHO MAIS RUBRO.

NÃO VENHO PARA RESOLVER NADA.

VIM AQUI PARA CANTAR
E PARA QUE CANTES COMIGO.

(fragmento do poema ''Que acorde o lenhador'')

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Uma dispensa qualquer, abandonada aos cuidados dos objetos de pouca utilidade e aos ratos famintos por liberdade. É esse o cenário de gritos que o seu interior murmura os cantos rubros. Onde, no segundo da hora rubro, as dores são apreciadas na escuridão empoeirada e motivadas pelas melodias dos rastejantes. Onde a lâmpada que há muito queimara nunca será substituída, continuará estática, imóvel, sem uso de claridade. E o cheiro, que apenas as narinas da invisível poderiam sentir, é de alcance galáctico.
Sem expressão, presa à dispensa, inala a poeira dos seus restos que o mundo finge não ter criado. A porta... trancada! Imagina janelas... porém, as chaves estão sob a posse dos maus tratos do carcereiro.
Por trás das vassouras existe vida que sempre esteve em suspiros, e vê-la na escuridão da dor é sentir seu coração que sangra lhe batendo preso à harmonia do corpo.
A dor na ausência do movimento vivo do corpo bate dia a dia e a musica ritmada pelos seios nutre a melodia das flores que respiram no escuro da dor.


pirenco

sábado, 2 de julho de 2011

Escrevo de um cárcere

Estou preso e com raiva; muita raiva. Aguardo a injeção que me tirará a vida. Não sei o que me deu na cabeça para escrever estas palavras... Talvez seja o desejo de não estar sozinho. As palavras são boas companhias. Tudo que sairá desta caneta creio que não será lido por nenhum mortal; caso isso não aconteça, e um inocente de alma propuser-se a ler o que escrevo, sugiro desde já: não me julgue pela pessoa que sou, e sim pelo amor a profissão que tive e posso dizer... Ainda tenho, mesmo nesta prisão com pouco espaço e quente; talvez a quentura não seja da cela e sim do meu corpo raivoso que aguarda o final.
Sempre fui um homem dedicado, exercia as funções que me eram dadas com o maior empenho possível. Quando criança, não via a hora de chegar da escola e fazer o dever de casa; quando terminava era a sensação mais prazerosa que podia sentir. Talvez o inocente leitor não sinta prazer em realizar uma tarefa destinada, está aí leitor, a nossa diferença. Creio que está ansioso para saber o motivo que me trouxe a este lugar, pequeno e agora frio. Mas digo-lhe, acalme-se, logo chegarei ao ponto que sua alma deseja.
Acalme-se. Acalme-se, deixe que meu corpo esfrie mais ao contar-lhe sobre minha mocidade. Quando tinha por volta dos meus quinze anos, as brincadeiras para mim eram de verdadeiro deleite – aquelas que eu brincava comigo mesmo. Nunca tive amigos, criar personagens imaginários e depois desejar matá-los, criando formas para isso, era a minha mais pura diversão. Meus pais... Prefiro não escrever sobre eles; Talvez o inocente leitor deva estar se perguntando: Por que não fala sobre os pais? Digo-lhe que sou mais forte, para encarar o fim, se estiver sozinho.
Quando atingi a idade para trabalhar, fui ao encontro da profissão que se enquadraria com a minha personalidade. Foi perfeito, amor à primeira vista, um grande e equipado matadouro de animais. A euforia era tanta que não me importei com o quanto iriam me pagar; o que eu queria era o mais rápido possível trabalhar. Foi assim, inocente leitor, que encontrei a profissão perfeita e logo comecei a amá-la. Na minha vida era morte e mais morte; todos os dias dezenas de animais passavam pelas minhas mãos. Eu era o mais dedicado profissional do matadouro. Até mesmo nos dias de folga não conseguia ficar sem matar, por isso trabalhava.
Depois de vinte anos de profissão... Fui dispensado das atividades. “Malditos sejam os vegetarianos” foi o que o meu patrão alegou justificando a minha dispensa. Inocente leitor, você não é vegetariano, não é?! Se for... interrompo aqui minha narrativa, pois você me trouxe a esta cela, agora quente. Quente de raiva.
Não! Creio que você não é a causa do meu fim. Continuarei.
Quando sai pela última vez do lugar que representava o céu vermelho mais lindo, estava – como agora – tomado de raiva, queria mostrar o meu trabalho, mostrar o quanto era bom na arte de matar; e para isso fui à casa do meu ex-patrão lhe mostrar o quanto a profissão me ensinou.
Toquei a campainha...duas ou três vezes, abriram a porta, era uma senhora de muita idade, talvez fosse sua mãe e logo atrás uma criança curiosa que a perguntava “Quem é vovó?” Identifiquei-me como funcionário e amigo do dono do matadouro. Pediram-me para entrar e aguardar a sua chegada. Entrei recusando o chá oferecido, sentei-me sentindo forte vontade de matá-las – queria mostrar ao ex-patrão, quando chegasse, o quanto aprendi. Fui rápido e eficiente como de costume. Ao sair deparei-me com o ex-patrão, ou pai, ou filho, como queira inocente leitor; e ao me ver com as mãos vermelhas saindo de sua casa, agarrou-se a mim pondo-me imobilizado no chão, chamou os vizinhos que logo notaram o que acontecia e... Ó leitor, este fato me deixa com raiva a ponto de interrompe as palavras.
Pronto! Estou aqui... Preso e com raiva, aguardando o meu fim.


pirenco

sexta-feira, 10 de junho de 2011

João, o menino que não sabia escarrar.

Toda vez que João ficava gripado e o catarro começava a escorrer pra perto da boca, era um tormento. Às vezes nem dava tempo de puxar de volta e na boca mesmo o catarro entrava. Descia como de fosse suco de caixinha industrializado e nem precisava de canudo. Conforme ia piorando e o catarro aumentando, mais tenso e preocupado João ficava. Na escola todo mundo dava risada. A professora nem no menino tocava, João sentava no fundo do canto da sala. Até que certo dia, João, cansado de tanta agonia, resolve a aprender a escarrar. Escarrar fazendo barulho, como o pai fazia. Prestou atenção como funcionava. Quando o pai ia escarrar toda ora João olhava. E desse dia em diante, João com o catarro já não se incomodava. Na escola ganhou fama e status de campeão. João é agora é chamado de João Escarrão.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sarney e o direito à memória

Escrever sobre certas personagens da política nacional não é muito a idéia deste blog, pelo menos não diretamente. Tem blogs mais interessantes especializado na área. Mas, devida as introduções destes senhores no mundo das artes e das exposições, contribuindo assim para o crescimento cultural do nosso país, aqui estou, tentando entender o que se passa.

Na última segunda-feira,  José Sarney (museólogo, curador e também senador) inaugurou uma exposição no que chamam de Túnel do Tempo do senado nacional, sobre os olhares de alguns alunos de ensino médio e da imprensa tupiniquim. Segundo consta, o tal túnel foi concebido para enaltecer o ego da própria casa, onde eles mesmos elegem de fato, os fatos mais importantes da mesma.

Dentro desta concepção, alguns homens de microfone nas mãos se deram conta de que na exposição faltavam, digamos, algumas partes da história do Brasil. E não era um fato de difícil acesso, arquivo queimados, fotos destruidas de pessoas sendo executadas dentros dos quartéis do exército durante a ditadura, etc. Não! Eram fatos mais recentes. Como por exemplo, a lei da ficha limpa, que colocaria até mesmo o próprio José Sarney (museólogo, curador e também senador) na cadeia.

Mas, o que mais chamou à atenção pela ausência foi o 'impeachment' de Collor.  Aliás, não sei o que chamou mais atenção, a ausência da cara do Collor na exposição ou a declaração do guia Sarney a respeito do acontecido: "Eu não posso censurar os historiadores que foram encarregados de fazer a história. Mas acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente que não devia ter acontecido na história do Brasil".

Leitores do pura, realmente chegamos no ponto chave e final deste post, o direito à memória. A exposição foi encomendada pela casa, e teve a tutela de pessoas responsáveis pela nova configuração do que deveria ou não ser colocado ali à mostra. Não foram os historiadores que censuraram os caras pintadas, embora estes também possam contribuir de forma decisiva neste caso. Mas, a ordem veio de alguém que julgou que aquele acontecimento não tem relevância alguma no atual momento político brasileiro. Que achou melhor, não expor o rosto de alguém, em tempos de paz de espírito no congresso.

O direito à memória está lá. Do jeito que dá. Do jeito que alguém quer que ela seja apresentada.E assim estão os livros didáticos do ensino fudamental e médio, alguns podres museus 'históricos', e as cabeças da massa. Porque, o objetivo é esse, construir uma memória nacional, mas, esquecendo os acidentes políticos do país.

 

domingo, 29 de maio de 2011

Ternura... ternura;
Só!
Abandonada nos ásperos intervalos da voz,
esquecida
muda
não se manifesta.

triste nos tempos de silêncio,

ternura
muda!



pirenco

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Prefácio

Assim é que elas foram feitas (todas as coisas) - sem nome.
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.
Insetos errados de cor caíam no mar.
A voz se estendeu na direção da boca.
Caranguejos apertavam mangues.
Vendo ue havia na terra
dependimentos de mais
e tarefas muitas -
os homens começaram a roer as unhas.
Ficou certo pois não
que as moscas iriam iluminar
o silêncio das coisas anônimas.
Porém, vendo o Homem
que as moscas não davam conta de iluminar o
silêncio das coisas anônimas -
passaram essa tarefa para os poetas.

Manoel de Barros.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Dividi minha saboneteira em duas,
uma parte fica em minha casa,
a outra fica na sua.

A escova de dente eu uso a sua,
assim como a coberta,
os talheres e a risada tua.

Também não tenho colchão,
mas na sua casa não durmo no chão.


Mas, se você tem tudo,
o que é que eu tenho então?

sexta-feira, 6 de maio de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

Chorar

Hoje é o dia em que eu desejo chorar. No banheiro, sozinho, em silencio, no escuro. Porém, da porta entre aberta a luz da tarde se derrama pelos azulejos brancos ou beges. Hoje eu quero chorar sozinho, sozinho; sozinho não consigo ficar. “oi, tudo bem?” Talvez esteja tudo vazio por dentro e por fora... “tudo” ninguém nota ou fingem não notar que o vazio toma conta do universo meu-humano. Fechado em mim, na primeira e na última pessoa, olhares fixos que não despertam com os movimentos, aviões, pássaros perdidos; verdes matos com antenas ao alto matam homens e eu. Eu só quero chorar, sal que chegue ao paladar; só. Só chorar.



pirenco

lembrança

O que ainda não me foi tirado sustento com as palavras; trato das lembranças que carrego na mente. São muitas as recordações que me levam ao brilho nos olhos... foram bons e mágicos os meus jovens momentos. Lembro-me, em especial, dos grandes muros, enormes, gigantescos, infinitamente muros, muros em que eu subia para, mais próximo dos fios de eletricidade, lançar pedra amarrada a linha em busca da pipa presa ao fio; ou então... em dia de taco, pegar, aos pulos ofegantes, a bolinha perdida no quintal protegido pelo muro grafado por números de vereadores a cal; ou então... nas tardes de férias escolares, subir na imensidão de concreto e ficar observando as meninas desfilarem pela calçada suas belezas infantis; olhá-las do alto, das nuvens... esse era o mais significativo sinal de virilidade que eu-homem poderia demonstrar para mim e para os outros impedidos de olhar do alto por motivo de peso; não importava se as garotas me vissem, o fato é que eu-menino me sentia homem. Hoje, porém, passeio pelo bairro e vejo que os muros, as antigas muralhas de concreto culpadas por minhas cicatrizes... encolheram; pequenos, pequeninos. Passo por eles na companhia da lembrança, e, os meus olhos lacrimejando me vêem outra vez criança, subindo nos muros.



pirenco

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O abatedouro de pombos - V

-E o carro capota com jovens que brincavam com as putas da cidade vizinha-
Que tragédia, grita o homem!
-Todos morrem, menos as putas da cidade vizinha-
Que tragédia, grita a mulher!
-Que noite quente!-
Grita a puta da cidade vizinha.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A mascara maquiada:
alegria nos dentes,
raiva vermelha nos olhos,
veias.
Mergulho na insanidade do momento
Afogado... não respira

Barulhos repetidos, aplausos,
o carteiro que não é poeta,
Nas mãos suspiro do mês
derrama-se sobre a mascara,
''a conta''.



pirenco

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Entre ratos e poetas.

Quem é o poeta/ que esquece a porta aberta/ e sempre sempre desconversa sobre a causa da primeira guerra?/ Esse poeta esconde fatos/ não passa de um rato preso num buraco/ quem é o poeta que morreu na segunda guerra dizendo bobagens sobre a paz na terra?/ és tu , infame?/ és tu, o poeta da primeira e  da segunda guerra?/ és tu, o rato?/ és tu poeta?

domingo, 3 de abril de 2011

Como Macabéa
sangue
pão
salsicha
Do norte a revelação desce por onde não há mais som
atinge a ogiva:
PUN!



pirenco
Gesso. “Eu” preciso de gesso. Gesso.
Pro dedo
Pro teto
Pro pêlo
torto; incompleto... CONTRADITÓRIO.
Eu
Oh!
Gesso.



pirenco

quarta-feira, 23 de março de 2011

Bolacha de sal e bolacha doce.

Eu como bolacha de sal,
ela come bolacha doce,
um bancário ela queria que eu fosse,
mas tenho vocação mesmo é pra vida agridoce.

Orgulho-me de não cair em desgraça,
e de não andar por aí vestindo máscaras.

Mas, o meu amor mesmo é por ela,
que come bolacha doce.
E queria que nosso querer fosse assim,
feito sal e doce.
Nem me importa o que ela queria que eu fosse,
bancário, mascarado, desgraçado, que fosse!
Desde que eu esteja com ela,
que come bolacha doce.


29/01/2010

sexta-feira, 11 de março de 2011

Meu calçado é popular.

Meu calçado é popular/ calço o que posso calçar/ calço meias sujas e meias limpas/ o meu calçado também é uma questão de política/ vida/ só não ando descalço porque meu destino é muito longe/ com bolhas no pé não consigo andar/ com calçado caro vou me endividar/ ficar com dez prestação pra pagar/ e meu calçado é popular/ só o que peço ao meu calçado é que ele me permita andar.

terça-feira, 8 de março de 2011

MULHER COM P

Passado perverso pesa
Para Paulas Priscilas Patrícias
Passado
Patrimônio particular papai
presente
Propriedade privada
parceiros passando para patrão
Pátria patriarcal
Pelourinho perpétuo
Pancadas
Panelas padrões
preconceitos
Pelas paredes prédios poses peitos posições patéticas
Pelas pontes pivetes prosseguem pedindo pão
Pelas pistas patricinhas prosseguem pedindo primeira pagina playboy
Pura palhaçada
Possuímos pensamentos próprios
Personalidade
projetos
perguntamos
Pra que perpetuar preconceito?
Padrões perversos?
Posso parecer polemica porém
Privatizaram pessoas
Prostituíram pensamentos
Perua puta patroa pantera potranca passatempo
Palavras pesadas
Patrocinadas pelo passado perverso
Porem prosseguimos protestando
Pedros, Paulos, Pablos
Podem participar
Prosseguimos protestando
Pelo porto alegre pelo pirajussara
Paz para pátria
Punição para poderosos
Pão para pequenos
Pétalas
Poder popular
Prosseguimos pedindo
Principalmente poesia para periferia.


poema tirado do documentário ''panorama - arte na periferia''


8 de março: dia das mulheres proletárias, das mulheres imilla, das mães das quebradas. Um grande salve às mulheres que nos puseram na luta contra as injustiças do sistema capitalista.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Depois do Bom Fim.



Tenho minhas indagações de que Sclyar só morreu por essas horas, depois de adentrar pra academia brasileira de Letras, aquele antro  acadêmico  improdutivo. Se não tivesse adentrado pra'quela casa de 'célebres' contribuintes da literatura nacional, carregaria seu legado, tijolo a tijolo, por mais uns anos.

Mas...

Prefiro ficar com as minhas recordações do livro A GUERRA DO BOM FIM pelo qual, Sclyar percorre sua infância nas ruas do Bom Fim, bairro da distante Porto Alegre. Neste romance, o autor coloca, com maestria, a ficção num ponto crucial da realidade vivida por um garoto judeu e por uma comunidade totalmente diferente-indiferente do seus costumes e hábitos.  Com pitadas de humor, ele recorre ao imaginário bairristico para expressar com serenidade o posicionamento social de seu povo naquele circulo social, sempre dentro de uma ação, de um corre-corre, de lembranças.

Moacyr Sclyar contribuiu de forma gaúcha para com a literatura nossa, para com a forma realismo-ficção de expressar seus sentimentos, e necessidades de expor e confirmar seus costumes dentro de uma escrita oficial. Depois do Bom Fim, o que nos sobrou foram as formas, a ousadia, a gurizada correndo na rua... sempre.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O abatedouro de pombos - XV

Os urubus rodeiam, rodeiam, rodeiam...o teto da casa dos Pombos. Os urubus querem a carniça da casa dos Pombos. Agora, os urubus voam baixo, rasteiro. Em busca do cheiro. Acuados, a casa dos pombos será a casa dos urubus. Urubus e Pombos convivem agora numa  perfeita democracia.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

85 Letras e um Disparo

-Alô mô, sou eu!
-Fernando, o ônibus tá sendo assaltado...
-Quê?!!!
-Fala mais alto!!!
-Tão assaltando o ôni...
Puf.
-Alô!
Tu, tu, tu...

(Sacolinha)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um pedido de folião.

-Deixe a moça ir, minha senhora. O carnaval começa agora, e um folião vale mais que um pedido de perdão. Perdão, mas a senhora já foi moça. É velha agora, e no carnaval a senhora nem em casa ficava, e agora fica com essa mania de cristão -pensando que todo mundo precisa da salvação- prometo que na quarta-feira de cinzas tudo acaba e trago ela de volta, na porta de sua casa cheirosa e perfumada, conforme a ocasião.
Depois desse pedido, um silêncio invadiu o quarto do barraco, e a mãe como se saísse dum parto exclamou alto:
-Vá, mais antes de sair lave os prato!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Fevereiro do desgosto.

O povo fica nervoso,
bruto, desgostoso.
A vida não anda valendo
nem um real.

A faca foi criada
pra cortar pescoço.
A vida vale
menos que um osso.

E não é por falta de amor,
é por amor ao desgosto,
que o osso anda valendo
mais que um cidadão da capital.

Mas tudo isso acontece
por causa do calendário nacional.
É que nesse fevereiro
do desgosto, não vai ter carnaval.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cabral, o foragido.

Cabral queria pedir a mão de Luíza em casamento, mas nem onde guardar os trapo tinha. Decidiu então, depois de muito pensar que um banco ele tinha de assaltar. Chamou Zé Carlos, seu amigo desde o catecismo, que era o único amigo que ele tinha, pro crime -justo- praticar. Zé Carlos já chegou no banco atirando, matando três seguranças, mandando todo mundo deitar -pois agora seu amigo tinha de casar. Assalto bem sucedido! Cabral agora é foragido, mas pelo menos deu uma casa pra Luíza morar.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Fernando Pessoa - plural como o universo.




Está nas últimas a exposição Fernando Pessoa- plural como o universo no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Lá onde os objetos são nossos dialetos, onde nosso entrosamento linguístico ganha uma abordagem plural e independente e onde a poesia está solta.

Os escritos do poeta máximo de terras lusitanas, ganharam uma nova roupagem, como projeções, salas de espelhos, vida. Em plural como o universo, os heterônimos de Pessoa ficam mais claros, mais pop. Alberto Caeiro ficaria bestificado.

A exposição transmite com maestria a forma envolvente com a qual Pessoa desdenhava sobre suas obras. A liberdade de ir e vir, de começar pelo fim, e de terminar pelo começo me chama a atenção em qualquer que seja a exposição. Poético.





No fim, se é que eu posso falar no fim, uma vez não é suficiênte pra você digerir a empreitada. Você terá que ir pelo menos umas três, e não se arrependerás. Uma vez é só pra dizer que foi. Aos sábados é gratuito. Separe os próximos três e boa exposição!


Texto/Fotos: Danilo Cruz Manga.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cantinho bagunçado

Por sorte todos temos um cantinho bagunçado aonde a ordem não chega nunca. Pode ela gritar, lutar, espernear, criar teorias que caibam em bandeiras, que mesmo assim não conseguirá ordenar o nosso cantinho. Há pessoas que têm o fígado em desalinhamento com a ordem do corpo; outras têm a cabeça, que pouco ou muito lêem o mundo; já eu, tenho o coração em desordem – meu cantinho bagunçado. Nele carrego os meus amores femininos, os lugares verdes por onde passei, os amigos que tive e que tenho, as pessoas que vi apenas uma vez e que carregam todos os possíveis e impossíveis bons adjetivos do mundo...
Esse cantinho que carrego é só meu, e nenhuma teoria é capaz de ordená-lo. Pois nele vivo. E vivo desconfiado de que o cantinho bagunçado em minha amada possa ser o mesmo que o meu.



pirenco

O vento do cais.

O vento leva meu guarda-chuva.Quebra o ferro do meu guarda-chuva de cinco reais. Que eu comprei quando estive no Brás. É um vento que parece com um vento dum cais. Mas, não é cais, é Brás. Uma chuva de vento que vem direto de Shangai. Pra desaguar nos guarda-chuvas de cinco reais que é vendido em dias de discórdia no Largo da Concórdia, no Brás. É certo que agora, o guarda-chuva não me cobre mais. É a chuva que lava tudo. Que todos queriam fugir, comprando um guarda-chuva de cinco reais.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Um mês.

Um mês... por vez.
Um brinde ao nosso amor...
Pois logo chego,
No fim do mês.
Pra ser exato,
chego no dia vinte e três.
Vou feliz.
Sem lágrimas, espero.
Mas, se elas vierem,
que caiam apenas três.
Três gotas por vez.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

São Paulo -Peru, quem vai?



Aos que sonham em sair viajando pela América-Latina, a empresa de ônibus Ormeño está disponibilizando pela bagatela de R$ 435 uma viagem de 5 dias até Lima, Peru. A Ormeño é a responsável pela locomoção continental, e disponibiliza também uma segunda opção até Cusco por R$ 380.

Essa viagem ao centro da America-Latina escondida do Brasil é necessária. Pelo menos pra mim. Pra entender o quanto estamos distantes dos nossos vizinhos e porque estamos tão distantes, consequentemente. Além da viagem, é claro. Essa dica é de um curioso. Vale apena conversar com pessoas que já fizeram esse caminho, ou algum parecido por outra rota antes de se jogar na estrada.



Essa notícias saiu recentemente aqui e por ai. Por hora, tem mais pessoas lapidando a informação e o que vai ter de gente em busca do Pacífico, não vai ser brincadeira. Arruma a mala aê!



Imagens: Portal ig.

Falsidade inabalável.

Hoje quero ser falso! Assim perdoar todos meus inimigos, fingir que nada aconteceu. Olhar nos olhos do desgraçado que quer me ver morto e dizer "como eu pude não perdoar você, és tão...", "temos que esquecer o passado". E dali surgirá uma amizade inabalável! Falsa é verdade, mas e daí!? Já que carregamos um certo percentual de falsidade. Para mais e para menos. Como uma pesquisa datafolha. Pouco importa se "todo perdão carrega consigo uma falsidade impressionante".

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O indigente.

Essa massa de ar,
soprando do carro.
Subindo o asfalto,
voando alto.

Flutuando o planalto,
Sem tato,
como um morto indigente descalço,
que volta depois pra mim,
como se fosse um parto.

Subindo o asfalto,
sem tato,
vem de carro,
na padaria do lado.

Esse calor,
essa massa de ar,
quente.
É como um morto indigente descalço,
que volta depois pra mim,
como se fosse um parto.