Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de abril de 2012

a função poética


A função poética distribuída por uma régua/
De metros e metros de solidão e desespero /
Uma equação de um dia inteiro/ de uma função poética
De amor/ por inteiro/
Tridimensionais/  função poética/
 Amor/ a função poética /vista de várias/
cor.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

10 megapicsels

do nosso amor só sobrou uma câmera sansungue de 10 megapicsels que você me deu no natal de 2009/ as nossas fotos que tinha nela eu apaguei sem querer/ mas/ serviu pra ajudar a te esquecer/ hoje a cada fotografia que tiro eu dou um sorriso/ é que me lembro você dizendo que essa máquina seria pra tirar fotos do nosso primeiro filho.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Tudo tem um nome

Tudo tem um nome
Tatu, sereia, borboleta
Coração, amor e arrepio


Tudo tem uma luz
Bom dia, semana, noite
Bar de esquina, chuva e espelho

Tudo tem um sabor
Azedo, doce, vazio,
Infência, mãe e abraço

Tudo tem um tempo
Parabéns, adeus, saudade
Fotografias e tumbas

em Poemas Prematuramente Paridos de Eugenio S. Asano

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

um voô.

se eu tivesse asas/ estaria agora ao teu lado/ estaria aí no seu sofá laranja assistindo um jogo do Palmeiras/ conversando sobre a violência nas escolas/ estaria voando em busca da real pedagogia dos pássaros oprimidos/ estaria no ar.

sábado, 29 de outubro de 2011

Burroughs & Zé.


Burroughs escreveu sobre gatos e Zé Ramalho sobre borboletas, numa abstração mágica da relação entre o homem e suas profundas crises e esquisitices. Tanto um quanto o outro trasncederam o limite da arte e da literatura -marginal.

Nenhum dos dois leram Manifestos, além dos Manifestos poéticos. Para que assim não entrassem em contradição consigo mesmo todas as vezes que fosse escrever suas prosas, contos e poemas. Assim foram mais livres e assim escreveram sobre gatos e borboletas e coqueteis explosivos. 

Desenquadraram suas letras, foram longe, adptaram conexões surreais ao seus modos. Se encontram muito mais do que os críticos dizem se encontrar em suas trajetórias. Zé toca Bob Dylan, mas não vejo graça nas versões forçadas deste para com as músicas daquele. Dylan é mais Kerouac -ele mesmo disse- e Zé é mais Burroughs -eu que estou dizendo.

Por fim, entre as diferenças sobra muita coisa boa pra se ler e ouvir. Longe de algo empacotado,o trabalho desses dois especialistas em domesticar animais serve de referência pra um monte de guri que anda escrevendo e cantando por aí. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Amado, carrossel de menino, Lampião

Amado carrossel onde menino Jorge se tornou Lampião
azul... verde... amarelo... roxo... e sangue.
luz refletida pelo céu da noite
vinda de sobre o cavalinho nunca nauseado,
olhos abertos
revólver da imaginação engatilhado
vermelho, vermelho, vermelho
escorre
dos olhos a alegria de ser Lampião...
criança...
que não acabe a brincadeira.



inspirado no trecho as luzes do carrossel da obra ''capitães da areia'' de Jorge Amado.



pirenco

Quando os trabalhadores perderem a paciência


As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
O trabalho deixará de ser um meio de vida
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência

A pele será carícia e o corpo delícia
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juizes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências

Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obscelescência
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
“declaro vaga a presidência”!

(Mauro Iasi)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Às 107 cores de Pablo Neruda

O pura substância - nome que foi retirado dum poema do aniversariante - se vê nesta data, 12 de julho, no prazeroso compromisso de rabiscar essa tela com as cores do sangue latino de Pablo Neruda. Se o poeta chileno, peruano, boliviano, argentino, venezuelano, uruguaio, cubano, mexicano, brasileiro, latino, de todo o mundo, estivesse vivo, hoje, completaria exatos 107 anos; nosso sangue oprimido e nosso amor pelo humano terno, que não explore nem oprima, resgatam os belos poemas de Neruda e os põe na realidade cinza, neoliberal, dos tempos atuais. É com infinito deleite que a tela do pura substância será colorida hoje com um dos muitos poemas de Neruda; esperamos que as cores que vossos olhos projetarem dêem contribuições na construção colorida duma nova america-latina, nova áfrica, nova ásia, novo mundo; que as 107 cores do poeta nos auxilie no combate às injustiças dos opressores. Neruda vive nos corações que batem na melodia do amor, da ternura, da justiça, da revolução.


(...)não sou mais que um poeta: amo todos vós,
ando errante pelo mundo que amo:
em minha pátria encarceram mineiros
e os soldados mandam nos juízes.
Porém eu amo até as raízes
de meu pequeno país frio.
Se tivesse que morrer mil vezes
lá quero morrer:
se tivesse que nascer mil vezes
lá quero nascer,
perto da araucária selvagem,
do vendaval do vento sul,
dos sinos recém-comprados.
Que ninguém pense em mim.
PENSEMOS NA TERRA TODA,
BATENDO COM AMOR NA MESA.
Não quero que volte o sangue
a empapar o pão, os feijões,
a música: QUERO QUE VENHA
COMIGO O MINEIRO, A MENINA,
O ADVOGADO, O MARINHEIRO,
O FABRICANTE DE BONECAS,
QUE ENTREMOS NO CINEMA E SAIAMOS
PARA BEBER O VINHO MAIS RUBRO.

NÃO VENHO PARA RESOLVER NADA.

VIM AQUI PARA CANTAR
E PARA QUE CANTES COMIGO.

(fragmento do poema ''Que acorde o lenhador'')

domingo, 29 de maio de 2011

Ternura... ternura;
Só!
Abandonada nos ásperos intervalos da voz,
esquecida
muda
não se manifesta.

triste nos tempos de silêncio,

ternura
muda!



pirenco

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Dividi minha saboneteira em duas,
uma parte fica em minha casa,
a outra fica na sua.

A escova de dente eu uso a sua,
assim como a coberta,
os talheres e a risada tua.

Também não tenho colchão,
mas na sua casa não durmo no chão.


Mas, se você tem tudo,
o que é que eu tenho então?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Entre ratos e poetas.

Quem é o poeta/ que esquece a porta aberta/ e sempre sempre desconversa sobre a causa da primeira guerra?/ Esse poeta esconde fatos/ não passa de um rato preso num buraco/ quem é o poeta que morreu na segunda guerra dizendo bobagens sobre a paz na terra?/ és tu , infame?/ és tu, o poeta da primeira e  da segunda guerra?/ és tu, o rato?/ és tu poeta?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Bolacha de sal e bolacha doce.

Eu como bolacha de sal,
ela come bolacha doce,
um bancário ela queria que eu fosse,
mas tenho vocação mesmo é pra vida agridoce.

Orgulho-me de não cair em desgraça,
e de não andar por aí vestindo máscaras.

Mas, o meu amor mesmo é por ela,
que come bolacha doce.
E queria que nosso querer fosse assim,
feito sal e doce.
Nem me importa o que ela queria que eu fosse,
bancário, mascarado, desgraçado, que fosse!
Desde que eu esteja com ela,
que come bolacha doce.


29/01/2010

sexta-feira, 11 de março de 2011

Meu calçado é popular.

Meu calçado é popular/ calço o que posso calçar/ calço meias sujas e meias limpas/ o meu calçado também é uma questão de política/ vida/ só não ando descalço porque meu destino é muito longe/ com bolhas no pé não consigo andar/ com calçado caro vou me endividar/ ficar com dez prestação pra pagar/ e meu calçado é popular/ só o que peço ao meu calçado é que ele me permita andar.

terça-feira, 8 de março de 2011

MULHER COM P

Passado perverso pesa
Para Paulas Priscilas Patrícias
Passado
Patrimônio particular papai
presente
Propriedade privada
parceiros passando para patrão
Pátria patriarcal
Pelourinho perpétuo
Pancadas
Panelas padrões
preconceitos
Pelas paredes prédios poses peitos posições patéticas
Pelas pontes pivetes prosseguem pedindo pão
Pelas pistas patricinhas prosseguem pedindo primeira pagina playboy
Pura palhaçada
Possuímos pensamentos próprios
Personalidade
projetos
perguntamos
Pra que perpetuar preconceito?
Padrões perversos?
Posso parecer polemica porém
Privatizaram pessoas
Prostituíram pensamentos
Perua puta patroa pantera potranca passatempo
Palavras pesadas
Patrocinadas pelo passado perverso
Porem prosseguimos protestando
Pedros, Paulos, Pablos
Podem participar
Prosseguimos protestando
Pelo porto alegre pelo pirajussara
Paz para pátria
Punição para poderosos
Pão para pequenos
Pétalas
Poder popular
Prosseguimos pedindo
Principalmente poesia para periferia.


poema tirado do documentário ''panorama - arte na periferia''


8 de março: dia das mulheres proletárias, das mulheres imilla, das mães das quebradas. Um grande salve às mulheres que nos puseram na luta contra as injustiças do sistema capitalista.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O abatedouro de pombos - XV

Os urubus rodeiam, rodeiam, rodeiam...o teto da casa dos Pombos. Os urubus querem a carniça da casa dos Pombos. Agora, os urubus voam baixo, rasteiro. Em busca do cheiro. Acuados, a casa dos pombos será a casa dos urubus. Urubus e Pombos convivem agora numa  perfeita democracia.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Fevereiro do desgosto.

O povo fica nervoso,
bruto, desgostoso.
A vida não anda valendo
nem um real.

A faca foi criada
pra cortar pescoço.
A vida vale
menos que um osso.

E não é por falta de amor,
é por amor ao desgosto,
que o osso anda valendo
mais que um cidadão da capital.

Mas tudo isso acontece
por causa do calendário nacional.
É que nesse fevereiro
do desgosto, não vai ter carnaval.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cabral, o foragido.

Cabral queria pedir a mão de Luíza em casamento, mas nem onde guardar os trapo tinha. Decidiu então, depois de muito pensar que um banco ele tinha de assaltar. Chamou Zé Carlos, seu amigo desde o catecismo, que era o único amigo que ele tinha, pro crime -justo- praticar. Zé Carlos já chegou no banco atirando, matando três seguranças, mandando todo mundo deitar -pois agora seu amigo tinha de casar. Assalto bem sucedido! Cabral agora é foragido, mas pelo menos deu uma casa pra Luíza morar.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Fernando Pessoa - plural como o universo.




Está nas últimas a exposição Fernando Pessoa- plural como o universo no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Lá onde os objetos são nossos dialetos, onde nosso entrosamento linguístico ganha uma abordagem plural e independente e onde a poesia está solta.

Os escritos do poeta máximo de terras lusitanas, ganharam uma nova roupagem, como projeções, salas de espelhos, vida. Em plural como o universo, os heterônimos de Pessoa ficam mais claros, mais pop. Alberto Caeiro ficaria bestificado.

A exposição transmite com maestria a forma envolvente com a qual Pessoa desdenhava sobre suas obras. A liberdade de ir e vir, de começar pelo fim, e de terminar pelo começo me chama a atenção em qualquer que seja a exposição. Poético.





No fim, se é que eu posso falar no fim, uma vez não é suficiênte pra você digerir a empreitada. Você terá que ir pelo menos umas três, e não se arrependerás. Uma vez é só pra dizer que foi. Aos sábados é gratuito. Separe os próximos três e boa exposição!


Texto/Fotos: Danilo Cruz Manga.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Um mês.

Um mês... por vez.
Um brinde ao nosso amor...
Pois logo chego,
No fim do mês.
Pra ser exato,
chego no dia vinte e três.
Vou feliz.
Sem lágrimas, espero.
Mas, se elas vierem,
que caiam apenas três.
Três gotas por vez.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O indigente.

Essa massa de ar,
soprando do carro.
Subindo o asfalto,
voando alto.

Flutuando o planalto,
Sem tato,
como um morto indigente descalço,
que volta depois pra mim,
como se fosse um parto.

Subindo o asfalto,
sem tato,
vem de carro,
na padaria do lado.

Esse calor,
essa massa de ar,
quente.
É como um morto indigente descalço,
que volta depois pra mim,
como se fosse um parto.