sexta-feira, 11 de março de 2011

Meu calçado é popular.

Meu calçado é popular/ calço o que posso calçar/ calço meias sujas e meias limpas/ o meu calçado também é uma questão de política/ vida/ só não ando descalço porque meu destino é muito longe/ com bolhas no pé não consigo andar/ com calçado caro vou me endividar/ ficar com dez prestação pra pagar/ e meu calçado é popular/ só o que peço ao meu calçado é que ele me permita andar.

terça-feira, 8 de março de 2011

MULHER COM P

Passado perverso pesa
Para Paulas Priscilas Patrícias
Passado
Patrimônio particular papai
presente
Propriedade privada
parceiros passando para patrão
Pátria patriarcal
Pelourinho perpétuo
Pancadas
Panelas padrões
preconceitos
Pelas paredes prédios poses peitos posições patéticas
Pelas pontes pivetes prosseguem pedindo pão
Pelas pistas patricinhas prosseguem pedindo primeira pagina playboy
Pura palhaçada
Possuímos pensamentos próprios
Personalidade
projetos
perguntamos
Pra que perpetuar preconceito?
Padrões perversos?
Posso parecer polemica porém
Privatizaram pessoas
Prostituíram pensamentos
Perua puta patroa pantera potranca passatempo
Palavras pesadas
Patrocinadas pelo passado perverso
Porem prosseguimos protestando
Pedros, Paulos, Pablos
Podem participar
Prosseguimos protestando
Pelo porto alegre pelo pirajussara
Paz para pátria
Punição para poderosos
Pão para pequenos
Pétalas
Poder popular
Prosseguimos pedindo
Principalmente poesia para periferia.


poema tirado do documentário ''panorama - arte na periferia''


8 de março: dia das mulheres proletárias, das mulheres imilla, das mães das quebradas. Um grande salve às mulheres que nos puseram na luta contra as injustiças do sistema capitalista.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Depois do Bom Fim.



Tenho minhas indagações de que Sclyar só morreu por essas horas, depois de adentrar pra academia brasileira de Letras, aquele antro  acadêmico  improdutivo. Se não tivesse adentrado pra'quela casa de 'célebres' contribuintes da literatura nacional, carregaria seu legado, tijolo a tijolo, por mais uns anos.

Mas...

Prefiro ficar com as minhas recordações do livro A GUERRA DO BOM FIM pelo qual, Sclyar percorre sua infância nas ruas do Bom Fim, bairro da distante Porto Alegre. Neste romance, o autor coloca, com maestria, a ficção num ponto crucial da realidade vivida por um garoto judeu e por uma comunidade totalmente diferente-indiferente do seus costumes e hábitos.  Com pitadas de humor, ele recorre ao imaginário bairristico para expressar com serenidade o posicionamento social de seu povo naquele circulo social, sempre dentro de uma ação, de um corre-corre, de lembranças.

Moacyr Sclyar contribuiu de forma gaúcha para com a literatura nossa, para com a forma realismo-ficção de expressar seus sentimentos, e necessidades de expor e confirmar seus costumes dentro de uma escrita oficial. Depois do Bom Fim, o que nos sobrou foram as formas, a ousadia, a gurizada correndo na rua... sempre.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O abatedouro de pombos - XV

Os urubus rodeiam, rodeiam, rodeiam...o teto da casa dos Pombos. Os urubus querem a carniça da casa dos Pombos. Agora, os urubus voam baixo, rasteiro. Em busca do cheiro. Acuados, a casa dos pombos será a casa dos urubus. Urubus e Pombos convivem agora numa  perfeita democracia.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

85 Letras e um Disparo

-Alô mô, sou eu!
-Fernando, o ônibus tá sendo assaltado...
-Quê?!!!
-Fala mais alto!!!
-Tão assaltando o ôni...
Puf.
-Alô!
Tu, tu, tu...

(Sacolinha)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um pedido de folião.

-Deixe a moça ir, minha senhora. O carnaval começa agora, e um folião vale mais que um pedido de perdão. Perdão, mas a senhora já foi moça. É velha agora, e no carnaval a senhora nem em casa ficava, e agora fica com essa mania de cristão -pensando que todo mundo precisa da salvação- prometo que na quarta-feira de cinzas tudo acaba e trago ela de volta, na porta de sua casa cheirosa e perfumada, conforme a ocasião.
Depois desse pedido, um silêncio invadiu o quarto do barraco, e a mãe como se saísse dum parto exclamou alto:
-Vá, mais antes de sair lave os prato!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Fevereiro do desgosto.

O povo fica nervoso,
bruto, desgostoso.
A vida não anda valendo
nem um real.

A faca foi criada
pra cortar pescoço.
A vida vale
menos que um osso.

E não é por falta de amor,
é por amor ao desgosto,
que o osso anda valendo
mais que um cidadão da capital.

Mas tudo isso acontece
por causa do calendário nacional.
É que nesse fevereiro
do desgosto, não vai ter carnaval.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cabral, o foragido.

Cabral queria pedir a mão de Luíza em casamento, mas nem onde guardar os trapo tinha. Decidiu então, depois de muito pensar que um banco ele tinha de assaltar. Chamou Zé Carlos, seu amigo desde o catecismo, que era o único amigo que ele tinha, pro crime -justo- praticar. Zé Carlos já chegou no banco atirando, matando três seguranças, mandando todo mundo deitar -pois agora seu amigo tinha de casar. Assalto bem sucedido! Cabral agora é foragido, mas pelo menos deu uma casa pra Luíza morar.