segunda-feira, 24 de maio de 2010

O descanso.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Rádio Antena Negra FM

O hasteador de bandeiras.

Levantar a bandeira é a profissão de Alves. Todos os dias é ele que levanta a bandeira da empresa. Levanta com orgulho a bandeira do Brasil, do estado e da empresa, da qual ele é o hasteador há quase 23 anos. Empresa que, por coincidência, produz bandeiras há 74 anos. Quando ele começou, começou no setor de produção mais foi evoluindo conforme seu esforço e hoje se orgulha de chegar onde está, hasteador -chefe. Alves não dá bandeira, faz média com todo mundo, do pessoal da produção ao pessoal que fala inglês do setor da administração. E, mesmo assim tem gente que tem inveja do cargo de Alves. Ele não entende. Logo, encara a inveja com sorrisos. Hoje de manhã, a bandeira estava hasteada a meio palmo. Alves foi encontrado com dois tiros no peito e com a bandeira da empresa sobre o corpo, estirado, no chão da recepção.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Nada acontece aqui.

Aqui o progresso é medido por um metro de paralelepípedo na rua, por escândalos familiares que nunca acabam. Aqui, a areia da rua entra em casa e é colocada embaixo do tapete. Aqui, 10h00 ninguém tá mais na porta, pois já ficaram desde cedo.
Nada acontece aqui.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sete, onze e dezoito.

Nem no dia do meu nascimento eu fiquei tão nervoso e feliz quanto esse dia que contarei a seguir. Fazia sol, mas, acredito que a temperatura não importava nesse dia. Se estivesse nevando estaria nervoso e feliz do mesmo jeito. Não lembro nem se levei blusa pra me proteger do frio. Almocei com um certo medo do resultado da digestão; minha aparência era uma mistura de felicidade e ansiedade, o que posso descrever de forma resumida como: engraçado.

Lembro muito bem... quando eu tinha sete anos assistia aos jogos do meu time sozinho, eu e a tv; e sabia desde então que jamais torceria pra outro time no mundo. Meu irmão era muito pequeno e quando cresceu, passou a torcer pro time rival. Com onze anos, eu pedia pra meu pai me levar ao estádio, mas, ele dizia sempre que não tinha tempo, nem dinheiro e que torcia pro Bahia. Era uma resposta pronta. Ele nunca me levou ao estádio. Minha sorte era que os pais dos meus amigos também diziam a mesma coisa, menos a parte de torcer pro Bahia.

Depois do almoço, no banco do carona, com o vento na cara, com a blusa, com o sol, me dirigi ao que aqui no Brasil chamamos de estádio. Emoção? Tem gente que diz que não tem emoção no estádio. Eu não consigo colocar emoção nos outros, acredito que não seja essa uma das minhas boas virtudes. Por exemplo, este texto, que conta à primeira vez que eu fui ao estádio. Só vai ter emoção mesmo por aquele que um dia sentiu a mesma coisa que eu senti. E também não saberá explicar, como eu. E finalizará o texto aqui, como eu.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Pra não dizer que não falei da Rita.

Ela fazia parte da companhia de dança da cidade. Mas, tinha a bunda muito grande. Quando ela ia pra aula, aos 15 anos, era uma reviravolta nos olhares dos vizinhos. Era que a bunda da Rita era muito grande. Recebia muitas críticas da professora russa, sem bunda. Ela pensava em desistir. Ela pensava seriamente em desistir. Mas, um dia, como que algo inexplicável, João viu Rita. Melhor, João viu a bunda da Rita. E se apaixonou. Casou e levou Rita para o Rio de Janeiro, onde ela veio a ser uma grande profissional de dança. Rebolando a bunda.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Preferência de natureza

Casou-se infeliz, com um rapaz que tinha ejaculação precoce.
Claro que com o tempo, a divisão das dívidas, das tarefas de homem e mulher, e também com a chegada dos cães de estimação, a infelicidade cristalizou-se, tornou-se digna.
Antes ela gostava de um outro muito mais viril, mas ele casou-se com sua noiva de tanto tempo, uma moça que gemia muito mais que ela, e tinha lisos e escuros cabelos naturais.

sábado, 24 de abril de 2010

O banheiro da república.

O banheiro da república fede, tem pisos imundos e não possui de uma constituição muito parecida com as outras constituições que temos em grandes banheiros republicanos. O poder executivo do banheiro da republica vem executando com muito rigor as ordens vindas da assembléia. Ontem, foi descoberto uma infiltração na parede ao lado do ralo.E no exterior todos vem elogiando muito a política de seus mandatários, que alternan-se no poder oito vezes durante o mês. Isso significa que é um banheiro de uma república gregamente democrática. E, o senado deve aprovar ainda esse mês a compra de 5(cinco) panos de chão e depois a liberação de recurso para o reparo na infiltração. Depois desse reparo e dessa aprovação de conta, nunca mais teremos problemas no banheiro da república.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Rita Cadillac – A Lady do Povo


O documentário "Rita Cadillac – A Lady do Povo" estréia nesta sexta-feira nos cinemas.
Confira nas salas de São Paulo e Rio de Janeiro a partir do dia 16 de abril.

ESPAÇO UNIBANCO - SP - Sala 5 - 20h20 e 22h

CINE BOMBRIL - SP - Sala 2 - 18h

ARTEPLEX FREI CANECA - SP - Sala 8 - 15h40, 18h50 e 22h10

BOURBON POMPÉIA- SP - Sala 10 - 18h

ARTEPLEX BOTAFOGO - RJ - Sala 5 - 18h20

terça-feira, 13 de abril de 2010

Continuísmo desgovernado.

Continuo com falhas na barba. Continuo com os meus cabelos brancos. Continuo com os meus dentes sujos de verniz - que pintei quando era criança. E continuo olhando o espelho com a mesma emoção de antes. Continuo, pois não consigo ficar parado. Minhas falhas, meus cabelos brancos, meus dentes estão todos no continuísmo desgovernado de sempre.