sábado, 29 de maio de 2010

MERCADORIAS E FUTURO



Dia 30 de maio a partir das 20h no Teatro Alberto Maranhão, o público de Natal vai poder assistir pela primeira vez o espetáculo “Mercadorias e Futuro”, projeto paralelo de José Paes de Lira, vocalista do grupo Cordel do Fogo Encantado.

Escrito e interpretado por Lirinha, “Mercadorias e Futuro” é uma performance que une texto, som, luz e improviso. Na peça ele interpreta Lirovsky, um vendedor de livros que inventou uma parafernália de máquinas em forma de carrinho para ajudar em seu ofício. Mas ele não é um simples vendedor. É um comerciante de registros proféticos, mercador, rastreador de pistas, pesquisador e também inventor de máquinas.

Abordando temas como arte, comércio, direito autoral, dificuldade de unir arte e negócios e como trabalhar e ganhar dinheiro, Lirovsky, personagem condutor, tem o desafio de vender um livro de profecias e de mostrar como o livro é importante na vida das pessoas. Se utilizando de um aparato tecnológico que está sempre ao alcance, Lirovsky faz da narrativa de “Mercadorias e Futuro” uma linguagem nova, levando ao público a mistura de música, poesia e improvisações.

Por:Luciano Dantas (tchuei@gmail.com)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Rio de lágrimas.

Se ela juntasse as lágrimas derramadas por tamanhas desilusões, daria um rio São Francisco de lágrimas. Daria pra navegar de canoa ou de transatlântico nesse rio azul e sertanejo de lágrimas. Daria pra pescar sonhos inacabados nesse rio. Tomaria banho de lembranças nesse rio turvo de lágrimas desiludidas e pesaria sobre a minha nuca a queda da cachoeira desse rio solitário.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Rádio Antena Negra FM

O hasteador de bandeiras.

Levantar a bandeira é a profissão de Alves. Todos os dias é ele que levanta a bandeira da empresa. Levanta com orgulho a bandeira do Brasil, do estado e da empresa, da qual ele é o hasteador há quase 23 anos. Empresa que, por coincidência, produz bandeiras há 74 anos. Quando ele começou, começou no setor de produção mais foi evoluindo conforme seu esforço e hoje se orgulha de chegar onde está, hasteador -chefe. Alves não dá bandeira, faz média com todo mundo, do pessoal da produção ao pessoal que fala inglês do setor da administração. E, mesmo assim tem gente que tem inveja do cargo de Alves. Ele não entende. Logo, encara a inveja com sorrisos. Hoje de manhã, a bandeira estava hasteada a meio palmo. Alves foi encontrado com dois tiros no peito e com a bandeira da empresa sobre o corpo, estirado, no chão da recepção.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Nada acontece aqui.

Aqui o progresso é medido por um metro de paralelepípedo na rua, por escândalos familiares que nunca acabam. Aqui, a areia da rua entra em casa e é colocada embaixo do tapete. Aqui, 10h00 ninguém tá mais na porta, pois já ficaram desde cedo.
Nada acontece aqui.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sete, onze e dezoito.

Nem no dia do meu nascimento eu fiquei tão nervoso e feliz quanto esse dia que contarei a seguir. Fazia sol, mas, acredito que a temperatura não importava nesse dia. Se estivesse nevando estaria nervoso e feliz do mesmo jeito. Não lembro nem se levei blusa pra me proteger do frio. Almocei com um certo medo do resultado da digestão; minha aparência era uma mistura de felicidade e ansiedade, o que posso descrever de forma resumida como: engraçado.

Lembro muito bem... quando eu tinha sete anos assistia aos jogos do meu time sozinho, eu e a tv; e sabia desde então que jamais torceria pra outro time no mundo. Meu irmão era muito pequeno e quando cresceu, passou a torcer pro time rival. Com onze anos, eu pedia pra meu pai me levar ao estádio, mas, ele dizia sempre que não tinha tempo, nem dinheiro e que torcia pro Bahia. Era uma resposta pronta. Ele nunca me levou ao estádio. Minha sorte era que os pais dos meus amigos também diziam a mesma coisa, menos a parte de torcer pro Bahia.

Depois do almoço, no banco do carona, com o vento na cara, com a blusa, com o sol, me dirigi ao que aqui no Brasil chamamos de estádio. Emoção? Tem gente que diz que não tem emoção no estádio. Eu não consigo colocar emoção nos outros, acredito que não seja essa uma das minhas boas virtudes. Por exemplo, este texto, que conta à primeira vez que eu fui ao estádio. Só vai ter emoção mesmo por aquele que um dia sentiu a mesma coisa que eu senti. E também não saberá explicar, como eu. E finalizará o texto aqui, como eu.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Pra não dizer que não falei da Rita.

Ela fazia parte da companhia de dança da cidade. Mas, tinha a bunda muito grande. Quando ela ia pra aula, aos 15 anos, era uma reviravolta nos olhares dos vizinhos. Era que a bunda da Rita era muito grande. Recebia muitas críticas da professora russa, sem bunda. Ela pensava em desistir. Ela pensava seriamente em desistir. Mas, um dia, como que algo inexplicável, João viu Rita. Melhor, João viu a bunda da Rita. E se apaixonou. Casou e levou Rita para o Rio de Janeiro, onde ela veio a ser uma grande profissional de dança. Rebolando a bunda.